Direção: Rafaela Camelo, Emanuel Lavor Roteiro: Emanuel Lavor Produção: Daniela Marinho Martins Produção Executiva: Heloísa Schons Coprodução: Daniel Jaber, Rafaela Camelo, Emanuel Lavor, Catarina Acciolly, Letícia Ferreira da Fonseca Elenco: Pâmela Germano (Pâmela), Tícia Ferraz (Letícia), Karine Teles (Mãe) Direção de Fotografia: Joanna Ramos Montagem: Henrique Laterza Trilha Musical: Letícia Fialho Design de Som: Evelyn Santos, Alexandre Martins Som: Leonardo Kraus Direção de Arte: Sarah Noda Figurino: Juliana Ramos Maquiagem: Alexandra Vinagre Assistente de Direção: Júlia Rios Direção de Produção: Rafa Reche Empresas Produtoras: Cardume Curtas (Belo Horizonte), Apoteótica Cinematográfica (Brasília), Stelios Produções (Brasília), Relatar-se (Brasília), Terra Cultural (Brasília)
Porque recomendamos
O imperdível longa de Jorge Furtado entretem ao falar sobre o processo de se fazer cinema, ao mesmo tempo que é um catálogo de personagens carismáticos interpretados por grande atores. O filme está sendo relançado pelo projeto Sessão Vitrine Petrobrás.
Resenha
A maior virtude do cinema é que ele é contagiante. Pode-se dizer isso sobre qualquer forma de arte, é verdade. Mas se uma pessoa pode descobrir uma paixão repentina pela pintura ou pela música, o ato de fazer cinema se destaca por seu caráter coletivo. Se faz cinema em grupo. Pessoas com funções e intenções diferentes que vão infectando umas às outras com a vontade de que um filme novo exista nesse mundo. Jorge Furtado, como qualquer bom diretor, conhece essa sensação. Tanto que ele a aborda em 2007, quando lança seu quarto longa metragem: Saneamento Básico – O Filme, que retorna aos cinemas em cópia restaurada.
O filme nos apresenta o vilarejo de Linha Cristal, na Serra Gaúcha, cuja comunidade enfrenta um problema. Seu sistema de esgoto precisa de obras de saneamento para recuperar o arroio do município, e livrar seus moradores do mau cheiro que domina o lugar. Marina, uma das moradoras, se compromete com a causa e toma a iniciativa de solicitar à prefeitura a verba para a construção de uma fossa, mas descobre que não haverá espaço no orçamento para uma obra assim. No entanto, há verba cultural, que pode ser usada na produção de um filme. Então, Marina traça um plano com seu marido, Joaquim, para pegar o dinheiro e utilizar o mínimo para produzir um filme de baixo orçamento, deixando o resto para as obras de saneamento do arroio Cristal. O que Marina não antecipava era o quanto o projeto de fazer um filme começaria a encantá-la, assim como a todos os envolvidos.
Interpretada por Fernanda Torres, ótima como sempre, Marina já indica possuir uma veia artística oculta durante a abertura do filme. Sua narração em off surge parecendo falar com os espectadores na platéia do cinema, quando na verdade é o começo de uma reunião dos moradores. E ao ler em voz alta sua carta ao prefeito solicitando a verba da obra, ela começa o texto citando poesia. Wagner Moura, que interpreta Joaquim, oferece ao mesmo tempo um contraponto e uma fonte de apoio moral para Marina. A interação de marido e mulher, totalmente amadores no audiovisual, descobrindo juntos a sua própria linguagem cinematográfica, é um dos pontos altos da história. Como no momento em que eles se confundem sobre o significado do termo “ficção”, ou quando Joaquim tem a inspiração de fazer um filme sobre um monstro que habita a fossa, ou a admiração dele por Marina por escrever o roteiro e ter a ideia de fazer uma câmera subjetiva – apesar de não possuir o conhecimento técnico. “Eu vi num filme. O monstro… Assim… com a câmera atrás da árvore, sacudindo. Sabe?”
O roteiro de Jorge Furtado traz outros personagens, tão carismáticos e engraçados quanto Marina e Joaquim, que também acabam se envolvendo e sendo afetados pela produção de “O Monstro da Fossa”. Silene (Camila Pitanga), a irmã de Marina que aceita protagonizar o filme, e tanto a atuação quanto a perspectiva de “estrelato” sobem à sua cabeça. O pai delas, Seu Otaviano (Paulo José), se mantém totalmente cético com o projeto, mas não consegue deixar de demonstrar apoio para as filhas. E quando precisam que ele participe de uma cena, se empolga mais do que esperava. E o namorado de Silene, Fabrício (Bruno Garcia), o típico playboy de cidade pequena, que se une ao projeto porque é o único que tem uma câmera. Quando começam a temer que o filme não dê certo, eles apelam para alguém de fora do vilarejo: o montador Zico – Lázaro Ramos, mais uma vez trabalhando com Furtado após O Homem Que Copiava e Meu Tio Matou Um Cara. É todo um elenco que se entrega a essa comédia singela, se aprofundando em personagens que chegam a parecer caricatos, mas apenas na superfície. Porém é Fernanda Torres quem se destaca, com seu timing de comédia e expressividade sincera concedendo a Marina um entusiasmo e vulnerabilidade cativantes.
Talvez seja o sucesso internacional recente de Torres por Ainda Estou Aqui que justifique primeiramente o lançamento dessa nova restauração. E entre os vários filmes dos quais participou, Saneamento Básico pode ter o maior potencial de atrair um grande público, tanto pela bilheteria da época de sua estréia original em 2007, quanto por desfrutar até hoje de popularidade e carinho especial nas redes sociais. Mas a verdade é que o cinema brasileiro, assim como no resto do mundo, se alimenta da própria memória. Revisitar e celebrar suas maiores conquistas é uma forma de incentivar suas novas vozes. O cinema pode ser coletivo, mas ele começa a ser amado individualmente, no olhar do espectador. Afinal, Marina foi lá e fez um plano subjetivo, mesmo sem saber o nome.
Onde assistir Saneamento Básico – O Filme:
Ficha Técnica
Roteiro e Direção: Jorge Furtado Produção Executiva: Nora Goulart e Luciana Tomasi Produtora: Casa de Cinema de Porto Alegre Elenco: Fernanda Torres, Wagner Moura, Camila Pitanga, Bruno Garcia, Janaína Kremer, Lázaro Ramos, Tonico Pereira, Paulo José Direção de Fotografia: Jacob Solitrenick Direção de Arte: Fiapo Barth Figurinos: Rosângela Cortinhas Som Direto: Rafael Rodrigues Música: Leo Henkin Montagem: Giba Assis Brasil Mixagem: José Luiz Sasso
Porque recomendamos
O filme funciona como uma antologia de momentos que construíram a carreira Ney Matogrosso, contando com o talento imenso de Jesuíta Barbosa para representar um dos artistas mais conhecidos da cultura brasileira e com a direção competente de Esmir Filho.
Resenha
Há algumas figuras da cultura popular que ganham o status de “míticas”. Nomes que carregam em si tanta história e influência que a sua simples menção já é o suficiente para transmiti-las. Ainda assim, inevitavelmente, cinebiografias serão feitas sobre eles. No Brasil, Ney Matogrosso é um desses nomes. E sua cinebiografia inevitável acaba de chegar aos cinemas, com direção de Esmir Filho, com Jesuíta Barbosa no papel principal, e com o próprio Ney Matogrosso colaborando na produção. Juntos, eles oferecem um filme que, mesmo carregado com vários dos problemas habituais de filmes desse tipo, ainda encanta e emociona.
É possível fazer comparações entre esse Homem Com H e outras duas produções recentes: Better Man e Rocketman, as respectivas cinebiografias de Robbie Williams e Elton John. Os filmes sobre esses dois cantores britânicos possuem o ponto em comum de contarem com a colaboração direta dos mesmos, sendo retratos bem honestos do artista e do habitat cultural que o gerou. Além disso, é interessante perceber as semelhanças entre a história de Elton John e Ney Matogrosso. Ambos filhos de pai militar emocionalmente distante e abusivo, criados num lar conservador e que adotaram os visuais exagerados e teatrais como marca registrada ao se lançarem na carreira artística. A principal diferença de Homem Com H para com esses dois exemplos é que Ney passou razoavelmente incólume pelos seus anos de sucesso. Não é apresentada a mesma queda no vício em drogas ou o conflito com a sexualidade que marcou as histórias de Williams e John. O filme transmite a imagem de um Ney seguro de si desde a infância, e seus maiores dilemas pessoais partem das relações com o pai, com Cazuza e com Marco de Maria.
Por isso, o filme serve mais como retrato do Ney artista. Seus métodos e referências, mas principalmente, suas músicas. A sequência de abertura começa com ele ainda criança (Davi Malizia) olhando para a floresta próxima de sua casa, com um misto de assombro e atração. A imagem do garoto adentrando a floresta se intercala com o Ney já adulto, em sua primeira apresentação solo após a separação dos Secos e Molhados. Esse paralelo entre os dois Neys em dois tempos transmite a ideia de descoberta, como se a forma já totalmente desenvolvida de Ney Matogrosso, adornado de sua maquiagem e figurino elaborados sobre o corpo seminu fosse uma descoberta do Ney criança, uma criatura fantasiosa que ele encontra na selva. Mas também um reflexo do qual ele vai se aproximando. São elementos mostrados e não simplesmente contados. A direção competente de Esmir Filho brilha mais quando foge do óbvio das cinebiografias de músicos. Uma cena mostra Ney na infância acompanhando a mãe numa apresentação de teatro de revista. Em outra, os exercícios que Ney pratica em seu treinamento na Aeronáutica remetem aos movimentos que ele fará no futuro em frente às platéias. São formas elegantes de contar como Ney Matogrosso foi sendo construído. Esmir também faz uso de metáforas visuais interessantes. A cobra de estimação que Ney teve nos anos 80 se aproximando dele de forma ameaçadora para no final não mordê-lo é uma representação quase fantasmagórica da epidemia de Aids. É assim também no momento em que a escuridão abruptamente engole Cazuza durante o show que Ney dirigiu, e o ato dele desligar o último ponto de luz sobre o palco ganha o mesmo significado de uma flor em cima de um caixão.
Homem Com H só falha por seu caráter episódico, ao não apresentar um foco narrativo além de “essa é a vida de Ney Matogrosso”, tornando-se em seus momentos menos ambiciosos quase um artigo da Wikipédia em forma de filme. Além disso, a decisão de colocar Jesuíta fazendo lipsync com gravações da voz original de Ney provoca estranhamento em algumas cenas. Realmente, nenhum treino de canto conseguiria que a voz naturalmente mais grave do ator imitasse bem os agudos que Ney alcança em suas canções mais famosas. E acaba sendo uma forma de preservar e até mesmo celebrar a identidade do artista cuja história está sendo contada. Mas quando a ilusão não funciona, fica um pouco óbvio que não é Jesuíta quem está cantando. Fora isso, sua atuação como Ney Matogrosso é fenomenal. A maquiagem e a caracterização ajudam, mas é o ator que realmente convence que estamos vendo vários anos da vida da mesma pessoa. Ao adotar os olhares e os trejeitos marcantes da figura real, Jesuíta não parece estar meramente imitando. Ele parece possuído. E mesmo que não seja sua voz ali, a energia que ele apresenta nas várias performances (e nas várias transas) parece vir do próprio Ney.
Onde assistir Homem Com H:
Ficha Técnica
Direção e Roteiro: Esmir Filho
Produzido por: Marcio Fraccaroli, Andre Fraccaroli, Veronica Stumpf
Produtor Associado: Rodrigo Castellar
Produção Executiva: Rodrigo Castellar, Mariana Marcondes
Elenco: Jesuíta Barbosa, Jullio Reis, Bruno Montaleone, Rômulo Braga, Hermila Guedes, Mauro Soares, Jeff Lyrio, Danilo Grangheia, Augusto Trainotti, Bela Leindecker, Caroline Abras, Regina Chaves
Participações especiais: Céu, Sarah Oliveira
Direção de Fotografia: Azul Serra
Direção de Arte: Thales Junqueira
1º Assistente de Direção: Kity Féo
Figurino: Gabriella Marra
Caracterização: Martin Trujillo
Montagem: Germano de Oliveira
Som Direto: Ana Penna
Edição de Som: Martin Griganaschi
Mixagem: Armando Torres Jr, ABC
Supervisão Musical e Música original: Amabis
Produção de Elenco: Anna Luiza Paes de Almeida
Direção de Produção: Karla Amaral
Produção: Paris Entretenimento
Produtores Associados: Rodrigo Castellar, Adrien Muselet, Esmir Filho
Distribuição: Paris Filmes
Coprodução: Claro
Apoio: Riofilme
Classificação: 16 anos
Duração: 130 minutos
Sinopse
Ambientado em Recife, em 1977, “O Agente Secreto” acompanha Marcelo (Wagner Moura), um especialista em tecnologia que retorna a Recife após anos fora em busca de paz, apenas para descobrir que sua cidade natal esconde perigos e segredos inquietantes.
Ficha técnica
Gênero: Drama, Suspense Países: Brasil, França Duração: 158 minutos Diretor: Kleber Mendonça Filho Produtores: Kleber Mendonça Filho, Wagner Moura, Brent Travers, Emilie Lesclaux Roteiro: Kleber Mendonça Filho Elenco: Wagner Moura, Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone Diretor de Elenco: Gabriel Domingues Montagem: Eduardo Serrano, Matheus Farias Direção de Fotografia: Evgenia Alexandrova Assistência de Direção: Fellipe Fernandes, Leonardo Lacca Produtora Executiva: Dora Amorim Direção de Arte: Thales Junqueira Compositores: Tomaz Alves de Souza, Mateus Alves Som: Moabe Filho, Pedrinho Moreira, Tijn Hazen, Cyril Holtz Figurino: Rita Azevedo Maquiagem: Marisa Amenta
Sinopse
Em meio à busca pela recuperação econômica, o governo institui colônias compulsórias, confinando os idosos para que possam desfrutar seus últimos anos de vida. Teresa (77), residente em uma cidade industrializada na Amazônia, surpreende-se ao ser incluída no programa quando a idade mínima é alterada. Com poucos dias restantes, Teresa decide desafiar seu destino, embarcando numa jornada pelos rios e afluentes da Amazônia para realizar um último desejo.
Ficha técnica
Direção: Gabriel Mascaro Roteiro: Gabriel Mascaro, Tiberio Azul, Murilo Hauser (colabolador), Heitor Lorega (colabolador) Produção: Rachel Ellis, Sandino Saravia Coprodução: Marleen Slot, Giancarlo Nasi Produtores Executivos: Paulo Serpa, Rayssa Costa, Rachel Ellis Produtora: Desvia (Brasil), Cinevinay (México) Coprodutora: Viking Film (Holanda), Quijote (Chile) Distribuição: Vitrine Filmes Elenco: Denise Weinberg, Rodrigo Santoro,Miriam Socarrás, Adanilo Participação Especial: Projota, Vincent Riotta Direção de Fotografia: Guilherme Garza AMC Montagem: Sebastían Sepúlveda, Omar Guzmán Composição: Memo Guerra Direção de Arte: Dayse Barreto Figurino: Gabriella Marra Design de Som: María Alejandra Rojas & Arturo Salazar RB Mixagem de Som: Vincent Sinceretti Direção de Produção: Sidney Medina, Robson Medina Produção de Elenco: Gabriel Domingues
Porque recomendamos
Um cruzamento de gêneros, o filme leva o faroeste ao sertão de Goiás para retratar uma masculinidade violenta de homens abandodanados às suas próprias mesquinharias. Com Babu Santana e Ângelo no elenco, o filme também encontra uma presença cativante no ator Rodger Rogério.
Resenha
Oeste Outra Vez consegue realizar muita coisa com aparentemente poucos elementos. O novo filme de Erico Rassi é simultaneamente repleto de silêncios significativos e de diálogos pitorescos e engraçados, ainda que mantenham uma naturalidade bem realista. É uma desconstrução inteligente do gênero do western, com muitos de seus símbolos visuais mais marcantes, ao mesmo tempo que oferece uma análise profunda da masculinidade em crise. É um drama, uma comédia, um filme de estrada… e uma carta de amor à música brega de sofrência. Sério, o filme se inicia e se encerra com canções do Nelson Ned, o que por si só já é um motivo para assisti-lo numa sala de cinema e poder ouvir Tudo Passará a todo volume.
Os paralelos com os clássicos do faroeste já aparecem logo nas primeiras imagens do filme, que nos revelam a paisagem árida do sertão de Goiás. E vemos a figura sisuda de Totó (Ângelo Antônio), sentado em seu carro enquanto espera por algo. Uma nuvem de poeira se levanta, e surge então outro carro na estradinha de terra. É dirigido por Durval (Babu Santana), e Totó o corta numa emboscada. Se iniciam aí as quebras de expectativa com o gênero. Ambos saem do carro e, sem dizer nenhuma palavra, começam a brigar. Uma luta tão violenta quanto sem graça, quase infantil. Além de desproporcional, com a figura diminuta de Totó apanhando feio do gigante Durval. Logo em seguida surge a personagem mais importante da história, mesmo que ela só apareça em tela por alguns segundos. A porta do carro de Durval se abre, e Luiza se levanta do banco de passageiro e vai embora, deixando os dois para trás. Interpretada por Tuanny Araujo, ela é a única mulher que aparece no filme. E seu simples ato de ir embora nessa cena define toda a trama. A partir daí, Oeste Outra Vez se torna um filme de homens. Ou melhor dizendo, de homens abandonados.
Nessa desavença pelo amor de Luiza, Totó decide contratar alguém para matar seu rival. O pistoleiro aposentado e contador de causo Jerominho (Rodger Rogério) promete se encarregar do assassinato de Durval. Mas quando o plano dá errado, Totó e Jerominho precisam fugir juntos, sem saber com certeza se estão sendo perseguidos por outros pistoleiros. Novamente, vários clichês de faroeste. Mas ao contrário das figuras quase míticas que os filmes de bang-bang americanos criavam, a direção e o roteiro de Erico Rassi fazem questão de pontuar o quanto esses homens são ridículos. E até um pouco patéticos. Ao mesmo tempo que nos obriga a sentir algum afeto pelos personagens.
É difícil não se compadecer por esses garotos em corpo de adulto, se fingindo de valentões. “Você quer ver meu muque?”, pergunta Jerominho para Totó enquanto jogam conversa fora, e levanta a manga da camisa larga pra mostrar cheio de orgulho um bracinho magro. Aliás, num filme cheio de boas atuações, Rodger Rogério cria em Jerominho a sua figura mais complexa e cativante. Um velhinho obcecado pela própria fama de mau, mas incapaz de esconder suas vulnerabilidades e inseguranças. O papel originalmente seria do falecido Nelson Xavier – que interpretou um personagem similar em Comeback, outro filme de Rassi. Mas o próprio diretor contou, num debate após a pré-estreia do filme, como Rogério impressionou no teste de elenco.
Ainda assim, no geral todo o elenco está afinado na criação desse ambiente desprovido de mulheres. Cada um deles, em suas palavras e ações, mostra as consequências de viver nessa cidadezinha de interior, que mesmo habitada, parece uma cidade fantasma. Uma colônia de homens tristes, que decoram as ruas com lixo jogado com descaso e um pouco de antipatia. Que não sabem como ter intimidade com alguém, e se comunicam apenas com violência. Incapazes de confessar qualquer fragilidade. “Fatalmente famintos de amor”, como escreveu Tchekhov. Mas quando Nelson Ned começa a cantar, de repente se entregam à emoção.
Ficha Técnica
Direção e Roteiro: Erico Rassi Produção: Cristiane Miotto, Lidiana Reis, Cláudia Nunes Produção Executiva: Cristiane Miotto, Lidiana Reis Assistência de Direção: Helena Ungaretti, Natália Duarte Direção de Fotografia: André Carvalheira Montagem: Erico Rassi, Leopoldo Nakata Direção de Arte: Carol Tanajura Design de Produção: Carol Tanajura Efeitos Visuais: Igor Ribeiro Composição: Guilherme Garbato Design de Som: Vitor Coroa, Olivia Hernández Fernández, Miriam Biderman, Ricardo Reis Maquiagem: Ana Pieroni Elenco: Ângelo Antônio, Babu Santana, Tuanny Araujo, Rodger Rogério, Antônio Fábio, Daniel Porpino, Adanilo Reisson, Vinicius Elzio, Vieira Servílio de Holanda, Antônio Pitanga Casting: Liza Menzl Companhias Produtoras: Vietnã Filmes, Panaceia Filmes, Rio Bravo Filmes Distribuição: O2 Play
Por que recomendamos
A história real de uma senhora de 80 anos que toma para si a responsabilidade de lidar com violência observada através de sua janela é vivida com uma atuação tremenda de Fernanda Montenegro, que nos oferece a oportunidade de observar a excelência artística de uma vida dedicada a atuação. Este é o penúltimo filme da atriz antes de sua anunciada aposentadoria.
Resenha
Às vezes basta uma presença forte na tela para que todo um filme se componha ao seu redor. É esse pensamento que fica após uma sessão de Vitória, novo filme de Andrucha Waddington e penúltimo filme de Fernanda Montenegro antes de sua aposentadoria recém anunciada. Baseado na história real de Joana Zeferino Paz, o filme foi gravado antes de seu falecimento em 2023, quando ela ainda estava vivendo em anonimato por questões de segurança, sob o nome de Dona Vitória. Dessa forma, seu nome verdadeiro e aparência real não foram divulgados antes disso. Em seu encerramento, o filme faz questão de trazer essas informações em texto – como é de praxe em dramas biográficos. Isso serve para elevar a figura real de Dona Joana, mas também para justificar o whitewashing acidental da produção ao escalar uma atriz branca para o papel de uma personagem originalmente negra.
Dessa forma, Fernanda Montenegro interpreta Nina, quase uma versão paralela de Joana, criada pela adaptação. Mas o resto dos fatos ainda são levados à tela de forma fiel, nos apresentando a história da mulher idosa que, após viver por décadas num pequeno apartamento em Copacabana próximo à Ladeira dos Tabajaras, decidiu fazer algo sobre o crime a violência que assolava sua vizinhança. Sem poder contar com a ação imediata da polícia, Dona Nina resolve juntar seu dinheiro e comprar uma filmadora. Da janela de sua sala, ela gravou imagens marcantes do dia a dia dos traficantes em uma favela carioca, registrando provas de vários crimes, incluindo assassinato, e o envolvimento de policiais. Assim, ao mesmo tempo em que ela desencadeia uma investigação capaz de derrubar líderes do tráfico e policiais corruptos, ela se torna um alvo desses mesmos criminosos.
A performance de Fernanda é ótima como sempre, fruto desses 80 anos de uma carreira brilhante dedicada à atuação. Mas além disso, ela está completamente confortável no papel, que enquanto lhe permite se aproveitar das fragilidades da idade avançada, também faz um retrato de uma vivência simples e modesta, preenchida por pequenas revoltas e pequenos confortos. É o tipo de papel que ela tira de letra. É quase possível traçar paralelos entre Nina e a Romana, de Eles Não Usam Black Tie, ou a Dora, de Central do Brasil. O fato de estar sendo dirigida pelo genro também ajuda. A zona de conforto pode trazer vantagens.
E a direção de Andrucha é adequada, nos apresentando uma paisagem concreta, feita de estímulos visuais e sonoros. Quando o filme começa, nós ouvimos a cidade antes de vê-la. Uma construção audiovisual que revela um Rio de Janeiro onde Nina aprendeu a navegar e sobreviver através dos anos. A câmera nos torna companheiros da velha senhora enquanto ela caminha por aquelas ruas e vielas, confrontando a grosseria, a truculência e o etarismo de uma sociedade que a subestima casualmente. Tudo isso permite que Vitória, sem grandes façanhas cinematográficas, proporcione pelo menos alguns momentos memoráveis, que já nasceram clássicos – sem querer dar spoilers, um cuspe e uma massagem arrancaram reações maravilhosas da plateia na sessão em que estive.
Mas, mesmo sendo verdade que o filme se forma ao redor da atuação de Fernanda, o resto do elenco está igualmente forte. Alan Rocha, interpretando o repórter Fábio Gusmão, traz em sua presença e em seu olhar o peso da situação em que Dona Nina se meteu, assim como sua preocupação e admiração por ela. Linn da Quebrada cria uma figura ao mesmo tempo insubmissa e apaziguadora em Bibiana, vizinha de Nina. E o jovem Thawan Lucas concede tantas camadas à figura trágica de Marcinho, menino da favela que é tanto vítima quanto engrenagem do crime organizado (a possibilidade de salvá-lo é mais uma força motora na jornada de Nina). Vitória representa, então, mais um exemplo perfeito do caráter coletivo do cinema. Fernanda Montenegro pode ser seu maior atrativo e principal recurso, mas ainda é um filme cujas muitas partes trabalham em harmonia para formar um todo.
Ficha Técnica
Direção: Andrucha Waddington Roteiro: Paula Fiuza Produção: Leonardo M. Barros, Breno Silveira, Andrucha Waddington Produção Executiva: Juliana Capelini, Clarisse Goulart, Adriana Basbaum, Marcos Penido, Renata Brandão, Mariana Vianna, Tania Pacheco, Mayra Faour Auad, Ilda Santiago Direção de Fotografia: Lula Cerri Montagem: Sérgio Mekler Direção de Arte: Claudio Amaral Peixoto Efeitos Visuais: Claudio Peralta Design de Som: Jorge Saldanha, Alessandro Laroca, Eduardo Virmond Lima Figurino: Ana Avelar, Marina Franco Maquiagem: Mari Figueiredo Elenco: Fernanda Montenegro, Alan Rocha, Linn da Quebrada, Thawan Lucas, Laila Garin, Sacha Bali, Thelmo Fernandes, Marcio Ricciardi, Jeniffer Dias, Ramon Francisco, Felipe Paulino, Hilton Castro, Henrique Manoel Pinho, Bruno Padilha, Beth Zalcman, Caio Scot, Cristina Moraes, Luka Ribeiro, Junio Duarte, Fernando Zagallo, Laís Corrêa, Wanderlucy Bezerra Casting: Cibele Santa Cruz Companhias Produtoras: Globoplay, Conspiração Filmes, My Mama Entertainment Distribuição: Sony Pictures
Sinopse
Uma mulher casada com um ex-político durante a ditadura militar no Brasil é obrigada a se reinventar e a traçar um novo destino para si e os filhos depois que a vida de sua família é impactada por um ato violento e arbitrário.
Por que recomendamos
“Ainda Estou Aqui” sabe como utilizar suas cenas iniciais para, depois, dar peso à ausência de Rubens Paiva, entendendo que ela também deve ser sentida pelo público. Além disso, Fernanda Torres é magnífica na forma como demonstra uma resiliência combinada a presença esmagadora dessa ausência.
Resenha
Nossas histórias pessoais são construídas com várias peças. Não apenas memórias, editadas pelo tempo e pelo esquecimento, mas também crenças, sonhos e pesadelos, músicas e filmes, e momentos de pura calma habitual, quando não se está realmente “registrando” nada – como ir com sua família numa sorveteria. Infelizmente, para muitos de nós, uma peça primordial acaba sendo a tragédia. As piores coisas que nos aconteceram, os traumas, a dor, a perda da pessoa amada. Elementos que moldam nossas narrativas pessoais e nos definem como indivíduos. E todas as outras coisas que também estão lá ficam subjugadas pela sombra que essa parte projeta sobre o todo. Walter Salles compreende isso ao montar a narrativa de Ainda Estou Aqui.
Baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva, o filme de Salles, acima de todos os seus outros méritos, funciona porque seus personagens nos parecem totalmente reais. Não apenas por ser um relato verídico da família de Paiva. Nem por Salles ter frequentado a casa deles quando era criança, o que lhe concedeu uma perspectiva bem próxima. Mas porque, antes da tragédia acontecer, o filme nos mostra essas pessoas ouvindo música, jogando conversa fora, jogando vôlei, pebolim e gamão. Detalhes que não apenas situam a história no Rio de Janeiro dos anos 70, mas nos fazem companheiros dos personagens, outros convidados daquela casa. É uma abordagem parecida com a de outra obra de Salles, que em Diários de Motocicleta também pegou uma figura histórica e transformou em alguém que o público sentia conhecer na intimidade. Mas se aquele filme é um estudo de personagem e formação do jovem Che Guevara, Ainda Estou Aqui é sobre um acontecimento. Sobre o antes e o depois do desaparecimento de Rubens Paiva.
Nesse sentido, é um filme sobre diferenças. Sobre comparações. Isso vai além do simples retrato histórico da vida de Eunice Paiva, esposa de Rubens. A própria câmera explora o ambiente da casa exaltando o contraste de suas três versões – no começo, iluminada e em harmonia; depois, triste e na escuridão; e, enfim, vazia. A já citada sorveteria é o exemplo mais claro disso. O cenário, que aparece na primeira parte do filme, retorna em uma cena posterior, e vemos que nele a família Paiva subtraída de Rubens já não é a mesma. Cada um fingindo uma aparente normalidade pelo bem do outro. E ali Fernanda Torres oferece um dos momentos mais marcantes no papel de Eunice, apenas observando as outras mesas da sorveteria, ocupadas por grupos felizes de pessoas despreocupadas – um reflexo de sua própria família antes de serem atingidos pela violência da ditadura.
Aliás, o filme aborda essa violência sem floreios nem exageros. Um helicóptero retornando depois de sobrevoar o alto-mar. Homens à paisana chegando na sua casa, cordiais em sua ameaça implícita. Uma mancha de sangue numa sala de interrogatório. Um grito abafado atrás das paredes. O termo “banalidade do mal”, cunhado por Hannah Arendt ao cobrir o julgamento dos criminosos nazistas em Nuremberg, foi ironicamente banalizado nesses últimos anos de ascensão de governos fascistóides ao redor do mundo e a normalização de… caramba, nazistas. Mas esse termo é perfeitamente ilustrado pela cena perturbadora em que os militares, de forma batida e tediosa, lavam com água e sabão os corredores do DOI-CODI no final de outro “expediente”.
Mas não haveria porque se concentrar de forma mais gráfica nos horrores da ditadura quando o foco de Ainda Estou Aqui é Eunice. Como o próprio Walter Salles disse em entrevistas sobre o filme, no momento em que Rubens vai entrar naquele carro com os agentes do governo e troca um último olhar com Eunice, a história se torna dela. Um retrato íntimo de luto e resiliência, e de como é possível concentrar sua dor e indignação em algo positivo, como o trabalho essencial de Eunice com a área de direitos indígenas. A elogiada atuação de Torres engloba todas essas facetas e emoções de Eunice, mas a verdade é que todo o elenco está de parabéns. As crianças surgem em tela como uma família realizada, especialmente Bárbara Luz como Ana Lúcia, que protagoniza alguns momentos comoventes com o pai. Inclusive, Selton Mello como Rubens, em seu relativo pouco tempo de tela, nos provoca com sua ausência como se estivéssemos compartilhando da saudade com Eunice e seus filhos.
O filme perde um pouco de sua força após o primeiro salto de tempo na narrativa. Talvez consequência do modo de produção da Globo, que há muito tempo produz filmes que devem virar minisséries e vice-versa. Coisas parecem faltar, ou sobrar. A conclusão da história acaba sendo apenas adequada, ainda que contenha um elemento forte na atuação silenciosa de Fernanda Montenegro. Nesses minutos finais de Ainda Estou Aqui, a calma e a harmonia familiar que vimos no começo do filme retornam para esses personagens, mesmo que alteradas pelas quatro décadas que se passaram desde o assassinato de Rubens. E o significado mais óbvio do título fica claro, com Eunice se revelando ainda presente atrás do véu do Alzheimer. Outro possível significado é a presença do vácuo deixado por Rubens. Ou do próprio Rubens, ainda esperando que os culpados por sua morte sejam condenados. Uma presença que se une a de Eunice, a de Vladimir Herzog e a de tantos outros que se opuseram à ditadura. Ainda estão aqui. Assim como todos nós.
Em outras palavras: sem anistia.
Onde assistir Ainda Estou Aqui:
Ficha Técnica
Direção: Walter Salles Roteiro: Murilo Hauser, Heitor Lorega Roteiro Original: Marcelo Rubens Paiva Produção: Rodrigo Teixeira, Walter Salles, Maria Carlota Fernandes, Bruno Martine De Clermont-Tonnerre, Daniela Thomas, Olivier Père Produção Executiva: Juliana Capelini, Renata Brandão, Thierry de Clermont-Tonnerre, Masha Magonova, Lourenço Sant’Anna, David Taghioff, Guilherme Terra Assistência de Direção: Luiza Baccelli, Daniel Lentini, Flávia Valentina Direção de Fotografia: Adrian Teijido Montagem: Affonso Gonçalves Direção de Arte: Gabriel Garcia, Carlos Conti Decoração de Set: Michelle Carneiro, Paloma Buquer, Cristiane Luz, Tatiana Stepanenko, Renata Malachine Efeitos Visuais: Claudio Peralta Composição: Warren Ellis Design de Som: Laura Zimmermann, Stéphane Thiébaut Maquiagem: Marisa Amenta Cabelo: Zé Lucas Elenco: Fernanda Torres, Selton Melo, Fernanda Montenegro, Daniel Dantas, Dan Stulbach, Humberto Carrão, Guilherme Silveira, Antônio Saboia, Valentina Herszage, Maria Manoella, Luiza Kosovski, Marjorie Estiano, Bárbara Luz, Gabriela Carneiro da Cunha, Cora Mora, Olivia Torres, Pri Helena, Camila Márdila, Charles Fricks, Maeve Jinkings, Thelmo Fernandes, Helena Albergaria, Carla Ribas, Luiz Bertazzo Casting: Leticia Naveira Companhias Produtoras: RT Features, VideoFilmes, Mact Productions, Arte France Cinéma, Conspiração Filmes, Globoplay Distribuição: Sony Pictures Releasing
Sinopse
Verão de 1996, litoral de Alagoas. Tamara está aproveitando suas últimas semanas na vila pesqueira onde mora antes de partir para estudar em Brasília. Um dia, ela ouve falar de uma adolescente apelidada de “Sem Coração” por causa de uma cicatriz que tem no peito. Ao longo do verão, Tamara sente uma atração crescente por essa menina misteriosa.
Onde assistir Sem Coração:
A adaptação do curta “Sem Coração” (2014) para longa-metragem equilibra o naturalismo de uma adolescência compartilhada com a natureza e a fantasia que exacerba os sentimentos vivenciados pelo jovem grupo protagonista.
O longa também acena a “Guaxuma” (2018), segundo curta-metragem da diretora Nara Normande. Nele, a cineasta imprime sua percepção da passagem do tempo durante sua adolescência, enquanto o longa se privilegia da paisagem encantadora da praia de Guaxuma, em Maceió, para levar à tela o lado sensorial de se crescer em meio à abundância de espaço e natureza.
O conflito se dá exatamente pelo contraste entre a vasta liberdade física experenciada pelas personagens e os limites da tolerância ao que se considera natural, algo que não só é consequência do isolamento regional, mas que parecem ser mais normalizados devido a ele. Ao se descobrir interessada por outra garota (a personagem do título, interpretada por Eduarda Samara), Tamara (Maya de Vicq) se vê sozinha com um sentimento que não compartilha com a mãe ou com os amigos com quem convive diariamente.
Prestes a se mudar da região litorânea para Brasília, Tamara começa a entender que tudo o que caracteriza sua existência está prestes a mudar, o que traz um olhar contemplativo que se mistura a introspeção daquilo que ainda é novo a ela. Se por um lado “Guaxuma” se concentrava na memória da amiga de infância da diretora e do que as duas vivenciaram juntas, o longa narra os fatos acorridos em 1996 como presentes, ao mesmo tempo que coloca Sem Coração como um outro fenômeno natural, com toda sua força, mistério e fragilidade ao contato humano.
Porque recomendamos
Um coming-of-age sob a perspectiva feminina, “Sem Coração” sabe bem como a relação entre tempo e natureza pode ser algo exuberante de se ver nas telas. Em contraste, os conflitos não verbalizados de Tamara vão de encontro às mudanças lentamente constantes da natureza ao seu redor.
Ficha Técnica
• Formato: Longa-metragem / Ficção
• Duração: 1h 35min
• Ano: 2023
• País: Brasil/Itália/França
• Idioma: Português-Brasileiro/Italiano
• Gênero: Drama
• Produtora: Cinemascópio/Les Valseurs/Nefertiti Film/Komplizen
• Distribuição: Vitrine Filmes
• Direção e Roteiro: Nara Normande & Tião
• Elenco: Maya de Vicq, Eduarda Samara, Maeve Jinkings, Erom Cordeiro, Ian Boechat, Kaique Brito, Alaylson Emanuel, Lucas Da Silva, Elany Santos
• 1ª Assistente de Direção: Laura Mansur
• Direção de Fotografia: Evgenia Alexandrova
• Direção de Arte: Thales Junqueira
• Figurino: Preta Marquesi
• Maquiagem: Natie Cortez
• Montagem: Juliana Munhoz, Eduardo Serrano, Isabelle Manquillet
• Som: Lucas Caminha
• Edição de Som: Riccardo Spagnol, Gianluca Gasparrini
• Engenheiro de Som: Adam Levý
• Mixagem: Gilles Bernardeau
• Trilha Sonora Original: Tratenwald
Estreia
21/03/2024
Sinopse
Numa mesa de bar, o velho Adoniran Barbosa conta a um jovem garçom histórias de uma São Paulo que já não existe. Lembra com carinho da maloca onde viveu com Joca e Mato Grosso, da paixão deles por Iracema e de outros personagens eternizados em seus sambas, crônicas de uma metrópole engolida pelo apetite voraz do “pogréssio”.
Ficha Técnica
• Formato: Longa-metragem / Ficção
• Gênero: Comédia / Musical
• Classificação Indicativa: 14 anos
• País: Brasil
• Ano: 2023
• Idioma: Português-Brasileiro
• Duração: 108 minutos
• Produção: Pink Flamingo Filmes
• Coprodução: Nation Filmes
• Distribuição: Elo Studios
• Direção: Pedro Serrano
• Roteiro: Rubens Marinelli, Guilherme Quintella e Pedro Serrano
• Elenco: Paulo Miklos, Leilah Moreno, Gero Camilo, Gustavo Machado e Paulo Tiefenthaler