Sinopse

Enquanto dois irmãos assistem uma matéria de jornal sobre seres extra terrestres, o irmão mais velho faz uma analogia sobre o seu mundo ser invadido por visitantes indesejados.

 

 

Feito em 16mm com o apoio da empresa Kodak, o curta reflete sobre os números de pessoas predominante negras que são vítimas de violência policial. Com uma curta duração, é sólida a relação de afeto entre o irmão menor, seu irmão mais velho e a mãe deles. A escolha do irmão maior em usar uma metáfora entre a curiosidade do caçula sobre abduções alienígenas e casos de brutalidade policial presentes em cada esquina demonstra sua preocupação e cuidado com o menino.

Produzido de maneira independente, o filme introduz um elemento fantástico em sua linguagem de forma eficaz, encontrando um paralelo inteligente entre uma realidade dura e sua tradução em roteiro que é sublinhado na marcante imagem que conclui a história.

 

Porque recomendamos

Produção independente, o filme reflete sobre vítimas predominante negras da violência policial através de um elemento fantástico em sua narrativa.

 

Ficha técnica
  • Gênero: Drama
  • Duração: 04 min
  • Ano de lançamento: 2021
  • País de produção: Brasil
  • Direção: Pedro Oranges e Victor Cazuza
  • Produção: João Caroli
  • Produção Executiva: Pedro Oranges e Victor Cazuza
  • Roteiro: Pedro Oranges e Victor Cazuza
  • Elenco: Dante Preto, Gustavo Coelho, Teka Romualdo, Denis Franco da Silva
  • Produção de Elenco: Diogo Ferreira
  • Direção de Fotografia: Victor Cazuza
  • Direção de Arte: Winnie Ramos, Lunna Touronoglou
  • Figurino: Juliana Santos
  • Edição de Som: Henrique Gentil
  • Montagem: João Falsztyn
  • Trilha Sonora: Deekapz
  • VFX: Luca Rassi

Sinopse

Nara e Tayra cresceram em Guaxuma, uma praia no nordeste do Brasil, mas na adolescência Nara teve de deixar este lugar de liberdade. Após um acontecimento inesperado, Nara regressa a Guaxuma, mas já não reconhece o paraíso intocado da sua infância. Será que foi a praia que mudou ou a própria Nara?

Fragmentos de memórias contam a infância e juventude da diretora Nara Normande na praia de Guaxuma, a 10 kilômetros de Maceió, onde ela cresceu. Narrado pela própria diretora (que também faz as vozes das personagens) a animação aborda a amizade de duas amigas em meio a um contato com a natureza e liberdade para explorá-la que moldaram sua relação uma com a outra.

Também roteirista do filme, Nara narra suas lembranças com uma poesia sensível, capaz de abarcar quem chega de fora em momentos íntimos. As transições entre as cenas acontecem naturalmente, navegando por momentos que definem a ligação entre as personagens.

Com um ritmo manso de falar, Nara expande a sensação de passagem de tempo no filme, escolhendo precisamente como dar dimensão a cada momento narrado através do uso pontual do som e diferente técnicas de animação. No final, não há questionamento sobre a potência da relação entre as meninas e da memória que Nara carrega com ela sobre este período de sua vida.

Porque recomendamos

É perceptível a forma artesanal e cuidadosa com que a animação foi criada, e ao mesmo tempo a sensibilidade da diretora Nara Normande em compartilhar memórias sobre sua amiga através desse filme.

Ficha técnica
  • Gênero: Drama, Documentário
  • Duração: 15 min
  • Ano de lançamento: 2018
  • País de produção: Brasil / França
  • Produtoras: Vilarejo Filmes, Les Valseurs
  • Direção: Nara Normande
  • Produção: Damien Megherbi, Justin Pechberty (Les Valseurs), Livia de Melo (coprodução, Vilarejo Filmes)
  • Roteiro: Nara Normande
  • Elenco: Nara Normande
  • Direção de Fotografia: Maíra Iabrudi, Pedro Sotero, Simon Gesrel, Jean-Louis Padis
  • Montagem: Eduardo Serrano
  • Trilha Sonora: Normand Roger
  • Animação: Pedro Iuá, Sylvain Derosne, Diego Akel, Nara Normande, Clemence Bouchereau, Julien Laval , Abi Feijo, Tãnia Duarte, Sofia Gutman , Aurore Peuffier, Melody Boulissiere, Anne-Lise Nemorin, Gervaise Duchaussoy

Guaxuma (2018) on IMDb

Sinopse

Clara, enfermeira solitária da periferia de São Paulo, é contratada pela rica e misteriosa Ana como babá de seu futuro filho. Uma noite de lua cheia muda para sempre a vida das duas mulheres.

Onde assistir As Boas Maneiras

JustWatch.com

A dupla de diretores Juliana Rojas (Sinfonia da Metrópole, 2014) e Marcos Dutra (Quando Eu Era Vivo, 2014) misturam gêneros (do terror ao coming of age) para contar uma história sobre maternidade e relacionamentos afetivos.Uma parceria entre Brasil e França, o longa consegue abordar um personagem conhecido do imaginário coletivo sob uma perspectiva renovada. A história é contada do ponto de vista feminino, acrescentando temas relevantes como preconceito racial.Um destaque é a combinação de técnicas de efeitos especiais, que vão do matte painting ao VFX e efeitos práticos, para as diferentes etapas de gestação do menino Lobisomem.O filme encontra identidade nos elementos que usa para construir a mitologia do personagem, como à opção da mãe adotiva da história em criar a criança como vegetariana. Ao mesmo tempo, se ancora em preocupações e anseios concretos que trazem dimensão a obra. Dosando uma realidade bastante palpável com a metáfora folclórica, é exatamente no realismo fantástico que o filme se sente em casa e floresce.

 

 

Porque recomendamos

O filme não só traz uma perspectiva renovada para um personagem folclórico que já apareceu em diversas obras audiovisuais, como também o insere em uma realidade palpável, ancorada em temas relevantes como maternidade e preconceito racial.

 

Ficha técnica
  • Classificação: 14 anos
  • Gênero: Drama, Fantasia, Terror
  • Duração: 2h 15 min
  • Ano de lançamento: 2017
  • País de produção: Brasil / França / Alemanha
  • Produtoras: Dezenove Som e Imagem / Urban Factory / Globo Filmes / Good Fortune Filmes
  • Distribuidora: Imovision
  • Direção: Juliana Rojas, Marco Dutra
  • Produção: Maria Ionescu, Sara Silveira, Clément Duboin, Frédéric Corvez
  • Roteiro: Juliana Rojas, Marco Dutra
  • Elenco: Isabél Zuaa, Marjorie Estiano, Miguel Lobo, Cida Moreira, Andrea Marquee, Gilda Nomacce, Eduardo Gomes, Hugo Villavicenzio
  • Casting: Alice Wolfenson
  • Direção de Fotografia: Rui Poças
  • Direção de Arte: Fernando Zuccolotto
  • Figurino: Kiki Orona
  • Maquiagem: Rosemary Paiva
  • Som Direto: Gabriela Cunha
  • Desenho de Som: Bernardo Uzeda
  • Trilha Sonora: Guilherme Garbato, Gustavo Garbato
  • Montagem: Caetano Gotardo

Good Manners (2017) on IMDb

Sinopse

Edifício Tatuapé Mahal narra a história da vida de Javier Juarez Garcia, um boneco de maquete argentino que veio trabalhar nos stands de venda de apartamentos de São Paulo. Depois de uma grande decepção, Juarez decide mudar de vida e seguir sem rumo pelo mundo. Mas ele não esquece do seu verdadeiro objetivo: voltar para São Paulo e resgatar sua honra.

 

 

Edifício Tatuapé Mahal é uma preciosidade. Com quase dez anos desde seu lançamento, a temática do curta continua atual e com uma execução priomordiosa.

A premissa vem de uma ótima sacada de traduzir uma imagem idealizada de sociedade através de bonecos de maquetes. Os enquadramentos se alternam, como se estivéssemos vendo as cenas em uma maquete, de cima, ou do ponto de vista dos bonecos.

A história Almodovariana de um boneco que procura um mercado obscuro de cirurgias de redesignação sexual para miniaturas de maquetes traz ironias absurdas, como seu amigo que quis se tornar uma boneca de maquete mas acabou por se tornar um boneca russa.

Com personagens falhos e movidos por desejos humanos, a animação consegue estabelecer empatia com o espectador ao narrar a situação inusitada e contemporânea do protagonista.

Obra antecessora de O Órfão (2018), o curta é dirigido por Fernanda Salloum e Carolina Markowics (Carvão, 2022), que trabalharam em parceria com o animador Fabio Yamagi para dar movimento e vida às miniaturas através de stop motion, um estilo manual e meticuloso que encontrou um roteiro perfeito para seu emprego.

 

Porque recomendamos

Feito a partir da técnica de animação stop-motion com bonecos de maquetes, o curta apresenta uma concepção idealizada e fascinante de sociedade. A trajetória Almodovariana do protagonista Javier equilibra o trágico e o hilário.

 

Ficha técnica
  • Gênero: Comédia
  • Duração: 10 min
  • Ano de lançamento: 2014
  • País de produção: Brasil
  • Produtoras: Fulano Filmes
  • Direção: Carolina Markowicz, Fernanda Salloum
  • Produção Executiva: Krysse Melo
  • Direção de Produção: Natasha Louckevitch
  • Roteiro: Carolina Markowicz, Fernanda Salloum
  • Elenco: Daniel Hendler
  • Animação: Fabio Yamagi
  • Direção de Fotografia: Mario Daloia
  • Direção de Arte: Fernanda Salloum
  • Montagem: Rami D’Aguiar
  • Trilha Sonora: Gabriel Carrera

Tatuapé Mahal Tower (2014) on IMDb

Sinopse

Jonathas, um menino órgão, é adotado por uma nova família. Porém, é entregue de volta ao orfanato devido ao seu jeito “diferente”. Inspirado em eventos reais.

 

 

O Órfão tem como protagonista Jonathas, interpretado por Kauan Alvarenga (Pedágio, 2023). É já na cena de abertura, com uma despretensão impressionante, que ele traz nuances a Jonathas através de uma presença iluminada, energética, caótica e inocente. É um personagem com uma força gravitacional capaz de trazer o espectador para perto de si, uma atração que surge através do talento e a oportunidade ideal para que ele seja contemplado.

Jonathas viveu mais em seus poucos anos de vida do que uma criança deveria viver. Por ser homossexual, foi quase adotado por diversos casais para, pouco depois, retornar ao orfanato em que mora para ficar novamente à espera de uma nova oportunidade.

Apesar desse fato ser evidenciado no diálogo entre Jonathas e Leila (Clarisse Abujamra), assistente social que trabalho no orfanato, é na cena do primeiro jantar de Jonathas em uma casa nova que ele expõe essa história pregressa. Seu nervosismo e ao mesmo tempo familiaridade com a situação contam muito sobre a personagem, concisão valiosa em um filme de 15 minutos.

Cercado de cores frias, o mundo de Jonathas é preenchido por sua rica imaginação, alimentada por expectativas e uma versão de si mesmo que o mundo não está preparado para conhecer.

A edição não-linear (uma decisão tomada durante a montagem) traz um ritmo bem-vindo, alternando flashbacks (as cenas de Jonathas com o casal de adotantes e também com sua amiga) e presente, no diálogo com Leila.

O curta é um retrato sobre espera e a quase morte da expectativa, ao mesmo tempo que mostra a resiliência de Jonathas, que não se desvia de ser quem é e quer ser aceito sem concessões.

A direção e roteiro é de Carolina Markowicz (Carvão, 2022).

 

Porque recomendamos

Kauan Alvarenga transborda carisma e personalidade interpretando Jonathas, e as cenas que mostram seu mundo interno são exuberantes. A parceria entre Kauan e a diretora Carolina Markowicz se repete no recente longa Pedágio (2023). 

 

Ficha técnica
  • Classificação: 18 anos
  • Gênero: Drama
  • Duração: 16 min
  • Ano de lançamento: 2018
  • País de produção: Brasil
  • Produtoras: MyMama Entertainment
  • Distribuidora: FiGa Films
  • Direção: Carolina Markowics
  • Produção executiva: Mayra Faour Auad
  • Coordenação de produção: Beatriz Morgado
  • Roteiro: Carolina Markowics
  • Elenco: Kauan Alvarenga, Georgina Castro, Ivo Müller, Clarisse Abujamra, Julia Costa
  • Direção de Fotografia: Pepe Mendes
  • Direção de Arte: Vicente Saldanha
  • Figurino: Gabi Pinesso
  • Som direto: Samuel Braga (Samuca)
  • Montagem: Lautaro Colace (E.D.A.)
  • VFX: Warriors VFX
  • Coordenação de pós-produção: Cristiane Caffaro

The Orphan (2018) on IMDb

Sinopse

No interior do Brasil, uma família que se esforça para cuidar de seu patriarca tem suas vidas mudadas quando uma enfermeira oferece um acordo diabólico: colocar o mais velho da família para descansar e hospedar um traficante argentino que precisa urgentemente de um lugar para se esconder.

Onde assistir Carvão

Ambientado em uma cidade do interior de São Paulo, Carvão (2022), o primeiro longa-metragem de Carolina Markowicz (Edifício Tatuapé Mahal, de 2014, O Órfão, de 2018) traz um grupo de personagens que lida de diferentes formas com o isolamento geográfico e social, enquanto perdidos em expectativas e segredos.

Uma abundância de espaços cercam os personagens mas é o acotovelamento nas relações pessoais que gera os conflitos angustiantes. Crescida em uma cidade interiorana, a diretora representa com esmero o ritmo próprio da passagem do tempo no Brasil profundo e vigilância constante da vida alheia por parte de uma comunidade.

O filme logo estabelece sua premissa que é perturbadora o suficiente para reverberar durante toda o seu desenvolvimento. Colocando Irene (Maeve Jinkings) para realizar algo tão inumano, Carolina Markowicz tem o desafio de humanizar essa personagem para que o público crie uma conexão real com ela; e é o êxito de equilibrar essa equação um de seus maiores trunfos – o que não é surpresa, visto que alcançar o mundano e o humano nas personagens é uma talento da diretora e assinatura em trabalhos anteriores.

As personagens, além de isoladas na cidade, na casa, no quarto, parecem abandonadas por instituições. Não há a figura do político picareta, como em Bacurau (2019). Ao procurar a ajuda do padre para um questionamento, Irene volta de mãos vazias. Ao se dar conta de seu próprio abandono e, por consequência, da falta de supervisão sobre sua realidade, ela toma a ação e resolve seus problemas sozinha.

Olhos entram na casa de Irene quando eles menos esperam. Não há muros que cercam a casa e a vigilância se dá através da onipresença dos vizinhos, que se consideram de casa, aparecem de surpresa, sem cobertura de imprensa e sem uma avalanche de apoiadores. São ameaças veladas expressas através de uma fala mansa em tom provocatório.

O olhar externo nesse microcosmo se dá através do novo integrante incluído na dinâmica da casa que trás a consciência sobre a própria condição da família e vira uma lembrança constante da situação que pouco se pode remediar.

Eles escolhem o caminho da não-passividade e acabam se encontrando como parte de um universo maior. Como em Bacurau, o que vem de fora incomoda e é rechaçado. Na obra de Carolina, porém, ao invés de se fecharem de volta naquela cidade, a família se abre para um universo entrelaçado a segredos, que eles descobrem aos poucos, como alguém que descobre que existe algo além do azul e nuvens do céu. Eles agora fazem parte desse mundo cruel e amedrontador, mesmo sem compreendê-lo completamente ou ter noção de sua dimensão, mas que dá significado às suas existências.

 

 

Porque recomendamos

É difícil ficar sem reação à sugestão da enfermeira vivida por Aline Marta Maia logo no início do filme, algo ao mesmo tempo tão impensável quanto possível, o que nos faz querer acompanhar as consequências desse ato tenebroso ao longo da história. A tensão sutil entre as personagens de Maeve Jinkings e Camila Márdila é angustiante e o talento de ambas cresce quando elas se encontram em cena.

 

Ficha técnica
  • Classificação: 18
  • Gênero: Drama
  • Duração: 1h 47 min
  • Ano de lançamento: 2022
  • País de produção: Brasil / Argentina
  • Produtoras: Cinematográfica Superfilmes / Biônica Filmes (coprodução) / Ajimolido Films (coprodução)
  • Distribuidora: Pandora Filmes
  • Direção: Carolina Markowics
  • Produção: Zita Carvalhosa / Coprodução: Karen Castanho, Alejandro Israel
  • Roteiro: Carolina Markowics
  • Elenco: Maeve Jinkings, César Bordón, Jean Costa, Camila Márdila, Romulo Braga, Pedro Wagner, Aline Marta Maia
  • Casting: Bruno Alfano
  • Direção de Fotografia: Pepe Mendes
  • Direção de Arte: Marines Mencio, Natalia Krieger
  • Figurino: Gabi Pinesso
  • Maquiagem: Mari Figueiredo
  • Edição de Som: Diego Martinez, Filipe Derado
  • Montagem: Lautaro Colace
  • VFX: Mauro Garcia

Charcoal (2022) on IMDb