Sinopse

Jonathas, um menino órgão, é adotado por uma nova família. Porém, é entregue de volta ao orfanato devido ao seu jeito “diferente”. Inspirado em eventos reais.

 

 

O Órfão tem como protagonista Jonathas, interpretado por Kauan Alvarenga (Pedágio, 2023). É já na cena de abertura, com uma despretensão impressionante, que ele traz nuances a Jonathas através de uma presença iluminada, energética, caótica e inocente. É um personagem com uma força gravitacional capaz de trazer o espectador para perto de si, uma atração que surge através do talento e a oportunidade ideal para que ele seja contemplado.

Jonathas viveu mais em seus poucos anos de vida do que uma criança deveria viver. Por ser homossexual, foi quase adotado por diversos casais para, pouco depois, retornar ao orfanato em que mora para ficar novamente à espera de uma nova oportunidade.

Apesar desse fato ser evidenciado no diálogo entre Jonathas e Leila (Clarisse Abujamra), assistente social que trabalho no orfanato, é na cena do primeiro jantar de Jonathas em uma casa nova que ele expõe essa história pregressa. Seu nervosismo e ao mesmo tempo familiaridade com a situação contam muito sobre a personagem, concisão valiosa em um filme de 15 minutos.

Cercado de cores frias, o mundo de Jonathas é preenchido por sua rica imaginação, alimentada por expectativas e uma versão de si mesmo que o mundo não está preparado para conhecer.

A edição não-linear (uma decisão tomada durante a montagem) traz um ritmo bem-vindo, alternando flashbacks (as cenas de Jonathas com o casal de adotantes e também com sua amiga) e presente, no diálogo com Leila.

O curta é um retrato sobre espera e a quase morte da expectativa, ao mesmo tempo que mostra a resiliência de Jonathas, que não se desvia de ser quem é e quer ser aceito sem concessões.

A direção e roteiro é de Carolina Markowicz (Carvão, 2022).

 

Porque recomendamos

Kauan Alvarenga transborda carisma e personalidade interpretando Jonathas, e as cenas que mostram seu mundo interno são exuberantes. A parceria entre Kauan e a diretora Carolina Markowicz se repete no recente longa Pedágio (2023). 

 

Ficha técnica
  • Classificação: 18 anos
  • Gênero: Drama
  • Duração: 16 min
  • Ano de lançamento: 2018
  • País de produção: Brasil
  • Produtoras: MyMama Entertainment
  • Distribuidora: FiGa Films
  • Direção: Carolina Markowics
  • Produção executiva: Mayra Faour Auad
  • Coordenação de produção: Beatriz Morgado
  • Roteiro: Carolina Markowics
  • Elenco: Kauan Alvarenga, Georgina Castro, Ivo Müller, Clarisse Abujamra, Julia Costa
  • Direção de Fotografia: Pepe Mendes
  • Direção de Arte: Vicente Saldanha
  • Figurino: Gabi Pinesso
  • Som direto: Samuel Braga (Samuca)
  • Montagem: Lautaro Colace (E.D.A.)
  • VFX: Warriors VFX
  • Coordenação de pós-produção: Cristiane Caffaro

The Orphan (2018) on IMDb

Sinopse

No interior do Brasil, uma família que se esforça para cuidar de seu patriarca tem suas vidas mudadas quando uma enfermeira oferece um acordo diabólico: colocar o mais velho da família para descansar e hospedar um traficante argentino que precisa urgentemente de um lugar para se esconder.

Onde assistir Carvão

Ambientado em uma cidade do interior de São Paulo, Carvão (2022), o primeiro longa-metragem de Carolina Markowicz (Edifício Tatuapé Mahal, de 2014, O Órfão, de 2018) traz um grupo de personagens que lida de diferentes formas com o isolamento geográfico e social, enquanto perdidos em expectativas e segredos.

Uma abundância de espaços cercam os personagens mas é o acotovelamento nas relações pessoais que gera os conflitos angustiantes. Crescida em uma cidade interiorana, a diretora representa com esmero o ritmo próprio da passagem do tempo no Brasil profundo e vigilância constante da vida alheia por parte de uma comunidade.

O filme logo estabelece sua premissa que é perturbadora o suficiente para reverberar durante toda o seu desenvolvimento. Colocando Irene (Maeve Jinkings) para realizar algo tão inumano, Carolina Markowicz tem o desafio de humanizar essa personagem para que o público crie uma conexão real com ela; e é o êxito de equilibrar essa equação um de seus maiores trunfos – o que não é surpresa, visto que alcançar o mundano e o humano nas personagens é uma talento da diretora e assinatura em trabalhos anteriores.

As personagens, além de isoladas na cidade, na casa, no quarto, parecem abandonadas por instituições. Não há a figura do político picareta, como em Bacurau (2019). Ao procurar a ajuda do padre para um questionamento, Irene volta de mãos vazias. Ao se dar conta de seu próprio abandono e, por consequência, da falta de supervisão sobre sua realidade, ela toma a ação e resolve seus problemas sozinha.

Olhos entram na casa de Irene quando eles menos esperam. Não há muros que cercam a casa e a vigilância se dá através da onipresença dos vizinhos, que se consideram de casa, aparecem de surpresa, sem cobertura de imprensa e sem uma avalanche de apoiadores. São ameaças veladas expressas através de uma fala mansa em tom provocatório.

O olhar externo nesse microcosmo se dá através do novo integrante incluído na dinâmica da casa que trás a consciência sobre a própria condição da família e vira uma lembrança constante da situação que pouco se pode remediar.

Eles escolhem o caminho da não-passividade e acabam se encontrando como parte de um universo maior. Como em Bacurau, o que vem de fora incomoda e é rechaçado. Na obra de Carolina, porém, ao invés de se fecharem de volta naquela cidade, a família se abre para um universo entrelaçado a segredos, que eles descobrem aos poucos, como alguém que descobre que existe algo além do azul e nuvens do céu. Eles agora fazem parte desse mundo cruel e amedrontador, mesmo sem compreendê-lo completamente ou ter noção de sua dimensão, mas que dá significado às suas existências.

 

 

Porque recomendamos

É difícil ficar sem reação à sugestão da enfermeira vivida por Aline Marta Maia logo no início do filme, algo ao mesmo tempo tão impensável quanto possível, o que nos faz querer acompanhar as consequências desse ato tenebroso ao longo da história. A tensão sutil entre as personagens de Maeve Jinkings e Camila Márdila é angustiante e o talento de ambas cresce quando elas se encontram em cena.

 

Ficha técnica
  • Classificação: 18
  • Gênero: Drama
  • Duração: 1h 47 min
  • Ano de lançamento: 2022
  • País de produção: Brasil / Argentina
  • Produtoras: Cinematográfica Superfilmes / Biônica Filmes (coprodução) / Ajimolido Films (coprodução)
  • Distribuidora: Pandora Filmes
  • Direção: Carolina Markowics
  • Produção: Zita Carvalhosa / Coprodução: Karen Castanho, Alejandro Israel
  • Roteiro: Carolina Markowics
  • Elenco: Maeve Jinkings, César Bordón, Jean Costa, Camila Márdila, Romulo Braga, Pedro Wagner, Aline Marta Maia
  • Casting: Bruno Alfano
  • Direção de Fotografia: Pepe Mendes
  • Direção de Arte: Marines Mencio, Natalia Krieger
  • Figurino: Gabi Pinesso
  • Maquiagem: Mari Figueiredo
  • Edição de Som: Diego Martinez, Filipe Derado
  • Montagem: Lautaro Colace
  • VFX: Mauro Garcia

Charcoal (2022) on IMDb