Porque recomendamos

O filme funciona como uma antologia de momentos que construíram a carreira Ney Matogrosso, contando com o talento imenso de Jesuíta Barbosa para representar um dos artistas mais conhecidos da cultura brasileira e com a direção competente de Esmir Filho.

 

Resenha

Há algumas figuras da cultura popular que ganham o status de “míticas”. Nomes que carregam em si tanta história e influência que a sua simples menção já é o suficiente para transmiti-las. Ainda assim, inevitavelmente, cinebiografias serão feitas sobre eles. No Brasil, Ney Matogrosso é um desses nomes. E sua cinebiografia inevitável acaba de chegar aos cinemas, com direção de Esmir Filho, com Jesuíta Barbosa no papel principal, e com o próprio Ney Matogrosso colaborando na produção. Juntos, eles oferecem um filme que, mesmo carregado com vários dos problemas habituais de filmes desse tipo, ainda encanta e emociona.

É possível fazer comparações entre esse Homem Com H e outras duas produções recentes: Better Man e Rocketman, as respectivas cinebiografias de Robbie Williams e Elton John. Os filmes sobre esses dois cantores britânicos possuem o ponto em comum de contarem com a colaboração direta dos mesmos, sendo retratos bem honestos do artista e do habitat cultural que o gerou. Além disso, é interessante perceber as semelhanças entre a história de Elton John e Ney Matogrosso. Ambos filhos de pai militar emocionalmente distante e abusivo, criados num lar conservador e que adotaram os visuais exagerados e teatrais como marca registrada ao se lançarem na carreira artística. A principal diferença de Homem Com H para com esses dois exemplos é que Ney passou razoavelmente incólume pelos seus anos de sucesso. Não é apresentada a mesma queda no vício em drogas ou o conflito com a sexualidade que marcou as histórias de Williams e John. O filme transmite a imagem de um Ney seguro de si desde a infância, e seus maiores dilemas pessoais partem das relações com o pai, com Cazuza e com Marco de Maria.

Por isso, o filme serve mais como retrato do Ney artista. Seus métodos e referências, mas principalmente, suas músicas. A sequência de abertura começa com ele ainda criança (Davi Malizia) olhando para a floresta próxima de sua casa, com um misto de assombro e atração. A imagem do garoto adentrando a floresta se intercala com o Ney já adulto, em sua primeira apresentação solo após a separação dos Secos e Molhados. Esse paralelo entre os dois Neys em dois tempos transmite a ideia de descoberta, como se a forma já totalmente desenvolvida de Ney Matogrosso, adornado de sua maquiagem e figurino elaborados sobre o corpo seminu fosse uma descoberta do Ney criança, uma criatura fantasiosa que ele encontra na selva. Mas também um reflexo do qual ele vai se aproximando. São elementos mostrados e não simplesmente contados. A direção competente de Esmir Filho brilha mais quando foge do óbvio das cinebiografias de músicos. Uma cena mostra Ney na infância acompanhando a mãe numa apresentação de teatro de revista. Em outra, os exercícios que Ney pratica em seu treinamento na Aeronáutica remetem aos movimentos que ele fará no futuro em frente às platéias. São formas elegantes de contar como Ney Matogrosso foi sendo construído. Esmir também faz uso de metáforas visuais interessantes. A cobra de estimação que Ney teve nos anos 80 se aproximando dele de forma ameaçadora para no final não mordê-lo é uma representação quase fantasmagórica da epidemia de Aids. É assim também no momento em que a escuridão abruptamente engole Cazuza durante o show que Ney dirigiu, e o ato dele desligar o último ponto de luz sobre o palco ganha o mesmo significado de uma flor em cima de um caixão.

Homem Com H só falha por seu caráter episódico, ao não apresentar um foco narrativo além de “essa é a vida de Ney Matogrosso”, tornando-se em seus momentos menos ambiciosos quase um artigo da Wikipédia em forma de filme. Além disso, a decisão de colocar Jesuíta fazendo lipsync com gravações da voz original de Ney provoca estranhamento em algumas cenas. Realmente, nenhum treino de canto conseguiria que a voz naturalmente mais grave do ator imitasse bem os agudos que Ney alcança em suas canções mais famosas. E acaba sendo uma forma de preservar e até mesmo celebrar a identidade do artista cuja história está sendo contada. Mas quando a ilusão não funciona, fica um pouco óbvio que não é Jesuíta quem está cantando. Fora isso, sua atuação como Ney Matogrosso é fenomenal. A maquiagem e a caracterização ajudam, mas é o ator que realmente convence que estamos vendo vários anos da vida da mesma pessoa. Ao adotar os olhares e os trejeitos marcantes da figura real, Jesuíta não parece estar meramente imitando. Ele parece possuído. E mesmo que não seja sua voz ali, a energia que ele apresenta nas várias performances (e nas várias transas) parece vir do próprio Ney.

 

 

Onde assistir Homem Com H:
  JustWatch.com

 

Ficha Técnica

Direção e Roteiro: Esmir Filho

Produzido por: Marcio Fraccaroli, Andre Fraccaroli, Veronica Stumpf

Produtor Associado: Rodrigo Castellar

Produção Executiva: Rodrigo Castellar, Mariana Marcondes

Elenco: Jesuíta Barbosa, Jullio Reis, Bruno Montaleone, Rômulo Braga, Hermila Guedes, Mauro Soares, Jeff Lyrio, Danilo Grangheia, Augusto Trainotti, Bela Leindecker, Caroline Abras, Regina Chaves

Participações especiais: Céu, Sarah Oliveira

Direção de Fotografia: Azul Serra

Direção de Arte: Thales Junqueira

1º Assistente de Direção: Kity Féo

Figurino: Gabriella Marra

Caracterização: Martin Trujillo

Montagem: Germano de Oliveira

Som Direto: Ana Penna

Edição de Som: Martin Griganaschi

Mixagem: Armando Torres Jr, ABC

Supervisão Musical e Música original: Amabis

Produção de Elenco: Anna Luiza Paes de Almeida

Direção de Produção: Karla Amaral

Produção: Paris Entretenimento

Produtores Associados: Rodrigo Castellar, Adrien Muselet, Esmir Filho

Distribuição: Paris Filmes

Coprodução: Claro

Apoio: Riofilme

Classificação: 16 anos

Duração: 130 minutos

Sinopse

Ambientado em Recife, em 1977, “O Agente Secreto” acompanha Marcelo (Wagner Moura), um especialista em tecnologia que retorna a Recife após anos fora em busca de paz, apenas para descobrir que sua cidade natal esconde perigos e segredos inquietantes.

Ficha técnica

Gênero: Drama, Suspense
Países: Brasil, França
Duração: 158 minutos
Diretor: Kleber Mendonça Filho
Produtores: Kleber Mendonça Filho, Wagner Moura, Brent Travers, Emilie Lesclaux
Roteiro: Kleber Mendonça Filho
Elenco: Wagner Moura, Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone
Diretor de Elenco: Gabriel Domingues
Montagem: Eduardo Serrano, Matheus Farias
Direção de Fotografia: Evgenia Alexandrova
Assistência de Direção: Fellipe Fernandes, Leonardo Lacca
Produtora Executiva: Dora Amorim
Direção de Arte: Thales Junqueira
Compositores: Tomaz Alves de Souza, Mateus Alves
Som: Moabe Filho, Pedrinho Moreira, Tijn Hazen, Cyril Holtz
Figurino: Rita Azevedo
Maquiagem: Marisa Amenta

 

 

 

Sinopse

Em meio à busca pela recuperação econômica, o governo institui colônias compulsórias, confinando os idosos para que possam desfrutar seus últimos anos de vida. Teresa (77), residente em uma cidade industrializada na Amazônia, surpreende-se ao ser incluída no programa quando a idade mínima é alterada. Com poucos dias restantes, Teresa decide desafiar seu destino, embarcando numa jornada pelos rios e afluentes da Amazônia para realizar um último desejo.

Ficha técnica

Direção: Gabriel Mascaro
Roteiro: Gabriel Mascaro, Tiberio Azul, Murilo Hauser (colabolador), Heitor Lorega (colabolador)
Produção: Rachel Ellis, Sandino Saravia
Coprodução: Marleen Slot, Giancarlo Nasi
Produtores Executivos: Paulo Serpa, Rayssa Costa, Rachel Ellis
Produtora: Desvia (Brasil), Cinevinay (México)
Coprodutora: Viking Film (Holanda), Quijote (Chile)
Distribuição: Vitrine Filmes
Elenco: Denise Weinberg, Rodrigo Santoro,Miriam Socarrás, Adanilo
Participação Especial: Projota, Vincent Riotta
Direção de Fotografia: Guilherme Garza AMC
Montagem: Sebastían Sepúlveda, Omar Guzmán
Composição: Memo Guerra
Direção de Arte: Dayse Barreto
Figurino: Gabriella Marra
Design de Som: María Alejandra Rojas & Arturo Salazar RB
Mixagem de Som: Vincent Sinceretti
Direção de Produção: Sidney Medina, Robson Medina
Produção de Elenco: Gabriel Domingues

 

 

Porque recomendamos

Um cruzamento de gêneros, o filme leva o faroeste ao sertão de Goiás para retratar uma masculinidade violenta de homens abandodanados às suas próprias mesquinharias. Com Babu Santana e Ângelo no elenco, o filme também encontra uma presença cativante no ator Rodger Rogério.

Resenha

Oeste Outra Vez consegue realizar muita coisa com aparentemente poucos elementos. O novo filme de Erico Rassi é simultaneamente repleto de silêncios significativos e de diálogos pitorescos e engraçados, ainda que mantenham uma naturalidade bem realista. É uma desconstrução inteligente do gênero do western, com muitos de seus símbolos visuais mais marcantes, ao mesmo tempo que oferece uma análise profunda da masculinidade em crise. É um drama, uma comédia, um filme de estrada… e uma carta de amor à música brega de sofrência. Sério, o filme se inicia e se encerra com canções do Nelson Ned, o que por si só já é um motivo para assisti-lo numa sala de cinema e poder ouvir Tudo Passará a todo volume.

Os paralelos com os clássicos do faroeste já aparecem logo nas primeiras imagens do filme, que nos revelam a paisagem árida do sertão de Goiás. E vemos a figura sisuda de Totó (Ângelo Antônio), sentado em seu carro enquanto espera por algo. Uma nuvem de poeira se levanta, e surge então outro carro na estradinha de terra. É dirigido por Durval (Babu Santana), e Totó o corta numa emboscada. Se iniciam aí as quebras de expectativa com o gênero. Ambos saem do carro e, sem dizer nenhuma palavra, começam a brigar. Uma luta tão violenta quanto sem graça, quase infantil. Além de desproporcional, com a figura diminuta de Totó apanhando feio do gigante Durval. Logo em seguida surge a personagem mais importante da história, mesmo que ela só apareça em tela por alguns segundos. A porta do carro de Durval se abre, e Luiza se levanta do banco de passageiro e vai embora, deixando os dois para trás. Interpretada por Tuanny Araujo, ela é a única mulher que aparece no filme. E seu simples ato de ir embora nessa cena define toda a trama. A partir daí, Oeste Outra Vez se torna um filme de homens. Ou melhor dizendo, de homens abandonados.

Nessa desavença pelo amor de Luiza, Totó decide contratar alguém para matar seu rival. O pistoleiro aposentado e contador de causo Jerominho (Rodger Rogério) promete se encarregar do assassinato de Durval. Mas quando o plano dá errado, Totó e Jerominho precisam fugir juntos, sem saber com certeza se estão sendo perseguidos por outros pistoleiros. Novamente, vários clichês de faroeste. Mas ao contrário das figuras quase míticas que os filmes de bang-bang americanos criavam, a direção e o roteiro de Erico Rassi fazem questão de pontuar o quanto esses homens são ridículos. E até um pouco patéticos. Ao mesmo tempo que nos obriga a sentir algum afeto pelos personagens.

É difícil não se compadecer por esses garotos em corpo de adulto, se fingindo de valentões. “Você quer ver meu muque?”, pergunta Jerominho para Totó enquanto jogam conversa fora, e levanta a manga da camisa larga pra mostrar cheio de orgulho um bracinho magro. Aliás, num filme cheio de boas atuações, Rodger Rogério cria em Jerominho a sua figura mais complexa e cativante. Um velhinho obcecado pela própria fama de mau, mas incapaz de esconder suas vulnerabilidades e inseguranças. O papel originalmente seria do falecido Nelson Xavier – que interpretou um personagem similar em Comeback, outro filme de Rassi. Mas o próprio diretor contou, num debate após a pré-estreia do filme, como Rogério impressionou no teste de elenco.

Ainda assim, no geral todo o elenco está afinado na criação desse ambiente desprovido de mulheres. Cada um deles, em suas palavras e ações, mostra as consequências de viver nessa cidadezinha de interior, que mesmo habitada, parece uma cidade fantasma. Uma colônia de homens tristes, que decoram as ruas com lixo jogado com descaso e um pouco de antipatia. Que não sabem como ter intimidade com alguém, e se comunicam apenas com violência. Incapazes de confessar qualquer fragilidade. “Fatalmente famintos de amor”, como escreveu Tchekhov. Mas quando Nelson Ned começa a cantar, de repente se entregam à emoção.

Ficha Técnica

Direção e Roteiro: Erico Rassi
Produção: Cristiane Miotto, Lidiana Reis, Cláudia Nunes
Produção Executiva: Cristiane Miotto, Lidiana Reis
Assistência de Direção: Helena Ungaretti, Natália Duarte
Direção de Fotografia: André Carvalheira
Montagem: Erico Rassi, Leopoldo Nakata
Direção de Arte: Carol Tanajura
Design de Produção: Carol Tanajura
Efeitos Visuais: Igor Ribeiro
Composição: Guilherme Garbato
Design de Som: Vitor Coroa, Olivia Hernández Fernández, Miriam Biderman, Ricardo Reis
Maquiagem: Ana Pieroni
Elenco: Ângelo Antônio, Babu Santana, Tuanny Araujo, Rodger Rogério, Antônio Fábio, Daniel Porpino, Adanilo Reisson, Vinicius Elzio, Vieira Servílio de Holanda, Antônio Pitanga
Casting: Liza Menzl
Companhias Produtoras: Vietnã Filmes, Panaceia Filmes, Rio Bravo Filmes
Distribuição: O2 Play

Por que recomendamos

A história real de uma senhora de 80 anos que toma para si a responsabilidade de lidar com violência observada através de sua janela é vivida com uma atuação tremenda de Fernanda Montenegro, que nos oferece a oportunidade de observar a excelência artística de uma vida dedicada a atuação. Este é o penúltimo filme da atriz antes de sua anunciada aposentadoria.

Resenha

Às vezes basta uma presença forte na tela para que todo um filme se componha ao seu redor. É esse pensamento que fica após uma sessão de Vitória, novo filme de Andrucha Waddington e penúltimo filme de Fernanda Montenegro antes de sua aposentadoria recém anunciada. Baseado na história real de Joana Zeferino Paz, o filme foi gravado antes de seu falecimento em 2023, quando ela ainda estava vivendo em anonimato por questões de segurança, sob o nome de Dona Vitória. Dessa forma, seu nome verdadeiro e aparência real não foram divulgados antes disso. Em seu encerramento, o filme faz questão de trazer essas informações em texto – como é de praxe em dramas biográficos. Isso serve para elevar a figura real de Dona Joana, mas também para justificar o whitewashing acidental da produção ao escalar uma atriz branca para o papel de uma personagem originalmente negra.

Dessa forma, Fernanda Montenegro interpreta Nina, quase uma versão paralela de Joana, criada pela adaptação. Mas o resto dos fatos ainda são levados à tela de forma fiel, nos apresentando a história da mulher idosa que, após viver por décadas num pequeno apartamento em Copacabana próximo à Ladeira dos Tabajaras, decidiu fazer algo sobre o crime a violência que assolava sua vizinhança. Sem poder contar com a ação imediata da polícia, Dona Nina resolve juntar seu dinheiro e comprar uma filmadora. Da janela de sua sala, ela gravou imagens marcantes do dia a dia dos traficantes em uma favela carioca, registrando provas de vários crimes, incluindo assassinato, e o envolvimento de policiais. Assim, ao mesmo tempo em que ela desencadeia uma investigação capaz de derrubar líderes do tráfico e policiais corruptos, ela se torna um alvo desses mesmos criminosos.

A performance de Fernanda é ótima como sempre, fruto desses 80 anos de uma carreira brilhante dedicada à atuação. Mas além disso, ela está completamente confortável no papel, que enquanto lhe permite se aproveitar das fragilidades da idade avançada, também faz um retrato de uma vivência simples e modesta, preenchida por pequenas revoltas e pequenos confortos. É o tipo de papel que ela tira de letra. É quase possível traçar paralelos entre Nina e a Romana, de Eles Não Usam Black Tie, ou a Dora, de Central do Brasil. O fato de estar sendo dirigida pelo genro também ajuda. A zona de conforto pode trazer vantagens.

E a direção de Andrucha é adequada, nos apresentando uma paisagem concreta, feita de estímulos visuais e sonoros. Quando o filme começa, nós ouvimos a cidade antes de vê-la. Uma construção audiovisual que revela um Rio de Janeiro onde Nina aprendeu a navegar e sobreviver através dos anos. A câmera nos torna companheiros da velha senhora enquanto ela caminha por aquelas ruas e vielas, confrontando a grosseria, a truculência e o etarismo de uma sociedade que a subestima casualmente. Tudo isso permite que Vitória, sem grandes façanhas cinematográficas, proporcione pelo menos alguns momentos memoráveis, que já nasceram clássicos – sem querer dar spoilers, um cuspe e uma massagem arrancaram reações maravilhosas da plateia na sessão em que estive.

Mas, mesmo sendo verdade que o filme se forma ao redor da atuação de Fernanda, o resto do elenco está igualmente forte. Alan Rocha, interpretando o repórter Fábio Gusmão, traz em sua presença e em seu olhar o peso da situação em que Dona Nina se meteu, assim como sua preocupação e admiração por ela. Linn da Quebrada cria uma figura ao mesmo tempo insubmissa e apaziguadora em Bibiana, vizinha de Nina. E o jovem Thawan Lucas concede tantas camadas à figura trágica de Marcinho, menino da favela que é tanto vítima quanto engrenagem do crime organizado (a possibilidade de salvá-lo é mais uma força motora na jornada de Nina). Vitória representa, então, mais um exemplo perfeito do caráter coletivo do cinema. Fernanda Montenegro pode ser seu maior atrativo e principal recurso, mas ainda é um filme cujas muitas partes trabalham em harmonia para formar um todo.

Ficha Técnica

Direção: Andrucha Waddington
Roteiro: Paula Fiuza
Produção: Leonardo M. Barros, Breno Silveira, Andrucha Waddington
Produção Executiva: Juliana Capelini, Clarisse Goulart, Adriana Basbaum, Marcos Penido, Renata Brandão, Mariana Vianna, Tania Pacheco, Mayra Faour Auad, Ilda Santiago
Direção de Fotografia: Lula Cerri
Montagem: Sérgio Mekler
Direção de Arte: Claudio Amaral Peixoto
Efeitos Visuais: Claudio Peralta
Design de Som: Jorge Saldanha, Alessandro Laroca, Eduardo Virmond Lima
Figurino: Ana Avelar, Marina Franco
Maquiagem: Mari Figueiredo
Elenco: Fernanda Montenegro, Alan Rocha, Linn da Quebrada, Thawan Lucas, Laila Garin, Sacha Bali, Thelmo Fernandes, Marcio Ricciardi, Jeniffer Dias, Ramon Francisco, Felipe Paulino, Hilton Castro, Henrique Manoel Pinho, Bruno Padilha, Beth Zalcman, Caio Scot, Cristina Moraes, Luka Ribeiro, Junio Duarte, Fernando Zagallo, Laís Corrêa, Wanderlucy Bezerra
Casting: Cibele Santa Cruz
Companhias Produtoras: Globoplay, Conspiração Filmes, My Mama Entertainment
Distribuição: Sony Pictures

Sinopse

Uma mulher casada com um ex-político durante a ditadura militar no Brasil é obrigada a se reinventar e a traçar um novo destino para si e os filhos depois que a vida de sua família é impactada por um ato violento e arbitrário.

Por que recomendamos

“Ainda Estou Aqui” sabe como utilizar suas cenas iniciais para, depois, dar peso à ausência de Rubens Paiva, entendendo que ela também deve ser sentida pelo público. Além disso, Fernanda Torres é magnífica na forma como demonstra uma resiliência combinada a presença esmagadora dessa ausência.

Resenha

Nossas histórias pessoais são construídas com várias peças. Não apenas memórias, editadas pelo tempo e pelo esquecimento, mas também crenças, sonhos e pesadelos, músicas e filmes, e momentos de pura calma habitual, quando não se está realmente “registrando” nada – como ir com sua família numa sorveteria. Infelizmente, para muitos de nós, uma peça primordial acaba sendo a tragédia. As piores coisas que nos aconteceram, os traumas, a dor, a perda da pessoa amada. Elementos que moldam nossas narrativas pessoais e nos definem como indivíduos. E todas as outras coisas que também estão lá ficam subjugadas pela sombra que essa parte projeta sobre o todo. Walter Salles compreende isso ao montar a narrativa de Ainda Estou Aqui.

Baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva, o filme de Salles, acima de todos os seus outros méritos, funciona porque seus personagens nos parecem totalmente reais. Não apenas por ser um relato verídico da família de Paiva. Nem por Salles ter frequentado a casa deles quando era criança, o que lhe concedeu uma perspectiva bem próxima. Mas porque, antes da tragédia acontecer, o filme nos mostra essas pessoas ouvindo música, jogando conversa fora, jogando vôlei, pebolim e gamão. Detalhes que não apenas situam a história no Rio de Janeiro dos anos 70, mas nos fazem companheiros dos personagens, outros convidados daquela casa. É uma abordagem parecida com a de outra obra de Salles, que em Diários de Motocicleta também pegou uma figura histórica e transformou em alguém que o público sentia conhecer na intimidade. Mas se aquele filme é um estudo de personagem e formação do jovem Che Guevara, Ainda Estou Aqui é sobre um acontecimento. Sobre o antes e o depois do desaparecimento de Rubens Paiva.

Nesse sentido, é um filme sobre diferenças. Sobre comparações. Isso vai além do simples retrato histórico da vida de Eunice Paiva, esposa de Rubens. A própria câmera explora o ambiente da casa exaltando o contraste de suas três versões – no começo, iluminada e em harmonia; depois, triste e na escuridão; e, enfim, vazia. A já citada sorveteria é o exemplo mais claro disso. O cenário, que aparece na primeira parte do filme, retorna em uma cena posterior, e vemos que nele a família Paiva subtraída de Rubens já não é a mesma. Cada um fingindo uma aparente normalidade pelo bem do outro. E ali Fernanda Torres oferece um dos momentos mais marcantes no papel de Eunice, apenas observando as outras mesas da sorveteria, ocupadas por grupos felizes de pessoas despreocupadas – um reflexo de sua própria família antes de serem atingidos pela violência da ditadura.

Aliás, o filme aborda essa violência sem floreios nem exageros. Um helicóptero retornando depois de sobrevoar o alto-mar. Homens à paisana chegando na sua casa, cordiais em sua ameaça implícita. Uma mancha de sangue numa sala de interrogatório. Um grito abafado atrás das paredes. O termo “banalidade do mal”, cunhado por Hannah Arendt ao cobrir o julgamento dos criminosos nazistas em Nuremberg, foi ironicamente banalizado nesses últimos anos de ascensão de governos fascistóides ao redor do mundo e a normalização de… caramba, nazistas. Mas esse termo é perfeitamente ilustrado pela cena perturbadora em que os militares, de forma batida e tediosa, lavam com água e sabão os corredores do DOI-CODI no final de outro “expediente”.

Mas não haveria porque se concentrar de forma mais gráfica nos horrores da ditadura quando o foco de Ainda Estou Aqui é Eunice. Como o próprio Walter Salles disse em entrevistas sobre o filme, no momento em que Rubens vai entrar naquele carro com os agentes do governo e troca um último olhar com Eunice, a história se torna dela. Um retrato íntimo de luto e resiliência, e de como é possível concentrar sua dor e indignação em algo positivo, como o trabalho essencial de Eunice com a área de direitos indígenas. A elogiada atuação de Torres engloba todas essas facetas e emoções de Eunice, mas a verdade é que todo o elenco está de parabéns. As crianças surgem em tela como uma família realizada, especialmente Bárbara Luz como Ana Lúcia, que protagoniza alguns momentos comoventes com o pai. Inclusive, Selton Mello como Rubens, em seu relativo pouco tempo de tela, nos provoca com sua ausência como se estivéssemos compartilhando da saudade com Eunice e seus filhos.

O filme perde um pouco de sua força após o primeiro salto de tempo na narrativa. Talvez consequência do modo de produção da Globo, que há muito tempo produz filmes que devem virar minisséries e vice-versa. Coisas parecem faltar, ou sobrar. A conclusão da história acaba sendo apenas adequada, ainda que contenha um elemento forte na atuação silenciosa de Fernanda Montenegro. Nesses minutos finais de Ainda Estou Aqui, a calma e a harmonia familiar que vimos no começo do filme retornam para esses personagens, mesmo que alteradas pelas quatro décadas que se passaram desde o assassinato de Rubens. E o significado mais óbvio do título fica claro, com Eunice se revelando ainda presente atrás do véu do Alzheimer. Outro possível significado é a presença do vácuo deixado por Rubens. Ou do próprio Rubens, ainda esperando que os culpados por sua morte sejam condenados. Uma presença que se une a de Eunice, a de Vladimir Herzog e a de tantos outros que se opuseram à ditadura. Ainda estão aqui. Assim como todos nós.

Em outras palavras: sem anistia.

Onde assistir Ainda Estou Aqui:
  JustWatch.com

Ficha Técnica

Direção: Walter Salles
Roteiro: Murilo Hauser, Heitor Lorega
Roteiro Original: Marcelo Rubens Paiva
Produção: Rodrigo Teixeira, Walter Salles, Maria Carlota Fernandes, Bruno Martine De Clermont-Tonnerre, Daniela Thomas, Olivier Père
Produção Executiva: Juliana Capelini, Renata Brandão, Thierry de Clermont-Tonnerre, Masha Magonova, Lourenço Sant’Anna, David Taghioff, Guilherme Terra
Assistência de Direção: Luiza Baccelli, Daniel Lentini, Flávia Valentina
Direção de Fotografia: Adrian Teijido
Montagem: Affonso Gonçalves
Direção de Arte: Gabriel Garcia, Carlos Conti
Decoração de Set: Michelle Carneiro, Paloma Buquer, Cristiane Luz, Tatiana Stepanenko, Renata Malachine
Efeitos Visuais: Claudio Peralta
Composição: Warren Ellis
Design de Som: Laura Zimmermann, Stéphane Thiébaut
Maquiagem: Marisa Amenta
Cabelo: Zé Lucas
Elenco: Fernanda Torres, Selton Melo, Fernanda Montenegro, Daniel Dantas, Dan Stulbach, Humberto Carrão, Guilherme Silveira, Antônio Saboia, Valentina Herszage, Maria Manoella, Luiza Kosovski, Marjorie Estiano, Bárbara Luz, Gabriela Carneiro da Cunha, Cora Mora, Olivia Torres, Pri Helena, Camila Márdila, Charles Fricks, Maeve Jinkings, Thelmo Fernandes, Helena Albergaria, Carla Ribas, Luiz Bertazzo
Casting: Leticia Naveira
Companhias Produtoras: RT Features, VideoFilmes, Mact Productions, Arte France Cinéma, Conspiração Filmes, Globoplay
Distribuição: Sony Pictures Releasing

Sinopse

Verão de 1996, litoral de Alagoas. Tamara está aproveitando suas últimas semanas na vila pesqueira onde mora antes de partir para estudar em Brasília. Um dia, ela ouve falar de uma adolescente apelidada de “Sem Coração” por causa de uma cicatriz que tem no peito. Ao longo do verão, Tamara sente uma atração crescente por essa menina misteriosa.

 

Onde assistir Sem Coração:
  JustWatch.com

A adaptação do curta “Sem Coração” (2014) para longa-metragem equilibra o naturalismo de uma adolescência compartilhada com a natureza e a fantasia que exacerba os sentimentos vivenciados pelo jovem grupo protagonista.

O longa também acena a “Guaxuma” (2018), segundo curta-metragem da diretora Nara Normande. Nele, a cineasta imprime sua percepção da passagem do tempo durante sua adolescência, enquanto o longa se privilegia da paisagem encantadora da praia de Guaxuma, em Maceió, para levar à tela o lado sensorial de se crescer em meio à abundância de espaço e natureza.

O conflito se dá exatamente pelo contraste entre a vasta liberdade física experenciada pelas personagens e os limites da tolerância ao que se considera natural, algo que não só é consequência do isolamento regional, mas que parecem ser mais normalizados devido a ele. Ao se descobrir interessada por outra garota (a personagem do título, interpretada por Eduarda Samara), Tamara (Maya de Vicq) se vê sozinha com um sentimento que não compartilha com a mãe ou com os amigos com quem convive diariamente.

Prestes a se mudar da região litorânea para Brasília, Tamara começa a entender que tudo o que caracteriza sua existência está prestes a mudar, o que traz um olhar contemplativo que se mistura a introspeção daquilo que ainda é novo a ela. Se por um lado “Guaxuma” se concentrava na memória da amiga de infância da diretora e do que as duas vivenciaram juntas, o longa narra os fatos acorridos em 1996 como presentes, ao mesmo tempo que coloca Sem Coração como um outro fenômeno natural, com toda sua força, mistério e fragilidade ao contato humano.

 

 

Porque recomendamos

Um coming-of-age sob a perspectiva feminina, “Sem Coração” sabe bem como a relação entre tempo e natureza pode ser algo exuberante de se ver nas telas. Em contraste, os conflitos não verbalizados de Tamara vão de encontro às mudanças lentamente constantes da natureza ao seu redor.

 

Ficha Técnica

Formato: Longa-metragem / Ficção
Duração: 1h 35min
Ano: 2023
País: Brasil/Itália/França
Idioma: Português-Brasileiro/Italiano
Gênero: Drama
Produtora: Cinemascópio/Les Valseurs/Nefertiti Film/Komplizen
Distribuição: Vitrine Filmes
Direção e Roteiro: Nara Normande & Tião
Elenco: Maya de Vicq, Eduarda Samara, Maeve Jinkings, Erom Cordeiro, Ian Boechat, Kaique Brito, Alaylson Emanuel, Lucas Da Silva, Elany Santos
1ª Assistente de Direção: Laura Mansur
Direção de Fotografia: Evgenia Alexandrova
Direção de Arte: Thales Junqueira
Figurino: Preta Marquesi
Maquiagem: Natie Cortez
Montagem: Juliana Munhoz, Eduardo Serrano, Isabelle Manquillet
Som: Lucas Caminha
Edição de Som: Riccardo Spagnol, Gianluca Gasparrini
Engenheiro de Som: Adam Levý
Mixagem: Gilles Bernardeau
Trilha Sonora Original: Tratenwald

Heartless (2023) on IMDb

Estreia

21/03/2024

 

Sinopse

Numa mesa de bar, o velho Adoniran Barbosa conta a um jovem garçom histórias de uma São Paulo que já não existe. Lembra com carinho da maloca onde viveu com Joca e Mato Grosso, da paixão deles por Iracema e de outros personagens eternizados em seus sambas, crônicas de uma metrópole engolida pelo apetite voraz do “pogréssio”.

 

 

Ficha Técnica

• Formato: Longa-metragem / Ficção
• Gênero: Comédia / Musical
• Classificação Indicativa: 14 anos
• País: Brasil
• Ano: 2023
• Idioma: Português-Brasileiro
• Duração: 108 minutos
• Produção: Pink Flamingo Filmes
• Coprodução: Nation Filmes
• Distribuição: Elo Studios
• Direção: Pedro Serrano
• Roteiro: Rubens Marinelli, Guilherme Quintella e Pedro Serrano
• Elenco: Paulo Miklos, Leilah Moreno, Gero Camilo, Gustavo Machado e Paulo Tiefenthaler

Sinopse

Baseado no microcosmo de uma família com ideias específicas sobre felicidade e pertencimento, A Felicidade das Coisas busca falar sobre maternidade e a posição da mulher numa cultura patriarcal.

Paula, 40 anos, está esperando seu terceiro filho, enquanto passa seu tempo entre uma praia feia e uma recém-adquirida e modesta casa de veraneio, no litoral paulista, onde ela pretende construir uma piscina para seus filhos. Quando seus planos se desfazem por conta de problemas financeiros, ela se torna cada vez mais sufocada pelo peso de suas responsabilidades. Deixada sozinha pelo marido e lidando com as constantes demandas de seu filho adolescente, que está conhecendo um novo mundo, Paula precisa confrontar suas próprias expectativas e frustrações, o que nos revela uma associação profunda entre amor e perda.

 

Onde assistir A Felicidade das Coisas:
  JustWatch.com

Assim como outras obras da produtora Filmes de Plástico, A Felicidade das Coisas parece um documentário se tratando do realismo das situações que retrata e da atuação de seus atores. Com uma grande capacidade de evocar memórias nostálgicas de férias adolescentes em litorais paulistas (a história se passa em Caraguatatuba, no estado de São Paulo), o filme tem um elenco que parece ter saído da mesma casa para as gravações, tamanha a capacidade de representar um núcleo familiar cenicamente.

Paula (Patrícia Saravy), a mãe sobrecarregada do pré-adolescente Gustavo (Messias Gois), da menina Gabi (Lavinia Castelari) e grávida de outra menina, luta por poder querer ter uma piscina na casa onde passa as férias com os filhos e sua mãe Antônia (Magali Biff). Um desejo pessoal que já foi compartilhado por todos, e também uma teimosia que vem de uma resistência em favor de seu próprio desejo. O marido e pai nunca é mostrado, uma ausência que vai se alargando a cada progressão das personagens.

Alternando entre o tédio e a ânsia para que algo aconteça, a família se choca em momentos que os membros decidem batalhar por suas próprias vontades de serem livres ou serem vistos. Feito por esses pequenos conflitos em relações humanas e de transformações sutis, o longa de estreia da cineasta Thais Fujinaga (Os Irmãos Mai, 2013) consegue se comunicar com um Brasil imenso por compreender e reproduzir dinâmicas familiares íntimas que acabam tocando diferentes gerações.

Entre frequentar uma praia não-paradisíaca e encabeçar a obra parada, Paula decide que a piscina “metade vazia” agora estaria cheia, nem que fosse por conta própria e com água do poço da casa vizinha. É um momento breve de felicidade que é recompensador para as personagens e os espectadores, daqueles capazes de formar memórias duradouras.

 

 

Porque recomendamos

Filme reflete sobre maternidade do ponto de vista de duas gerações (Paula e sua mãe), enquanto explora relações familiares a partir de um recorte que pode ser nostálgico e palpável para muitos espectadores.

 

Ficha Técnica

Formato: Longa-metragem / Ficção
Duração: 1h 21min
Ano: 2021
País: Brasil
Idioma: Português-Brasileiro
Gênero: Drama
Produtora: Filmes de Plástico
Coprodução: Lira Cinematográfica
Distribuição: Embaúba Filmes
Direção e Roteiro: Thais Fujinaga
Produção: Thiago Macêdo Correia e Lara Lima
Elenco: Patricia Saravy, Magali Biff, Messias Barros Góis e Lavínia Castelari
Produção de Elenco: Alice Wolfenson
Direção de Fotografia: André Luiz de Luiz
Direção de Arte: Dicezar Leandro
Montagem: Alexandre Taira
Colorista: João Paulo Geraldo
Som: Rubén Valdés, Vitor Moraes e Gustavo Nascimento
Trilha Sonora Original: Dudinha Lima

The Joy of Things (2021) on IMDb

Sinopse

Na Base Aérea de Natal, o Brasil se prepara para lançar o primeiro foguete tripulado para o espaço. Este dia histórico afeta a vida de Marcela, Marcos e seus dois filhos. Ela é faxineira e ele, mecânico, mas ela sonha com outros horizontes.

 

 

Você também pode assistir Sideral nas seguintes plataformas:
  JustWatch.com

 

A história de “Sideral” era parte de um projeto do diretor Carlos Segundo formado por pequenas histórias. O projeto não foi para frente, mas Segundo sabia que a história que se passa em um futuro atemporal, onde a vida de um casal e seus filhos é afetada por um evento histórico para o Brasil, tinha potencial para virar um curta.

O vislumbre de um acontecimento sem data para acontecer no país é preciso. Por exemplo, a cena onde os colegas de trabalho de uma oficina mecânica acompanham o lançamento do foguete tomando uma cerveja e comendo petiscos parece ter saído de um dia de jogo de copa do mundo. Esse retrato cotidiano apenas prepara o terreno para o cair da ficha, quando é revelado o destino da mãe de família que resolve fugir do planeta escondida em um foguete. O fato em si acaba sendo tão surreal como a forma como nos é contada, através de dois militares no sofá da casa da família.

O descaso do Estado em relação à família e a mulher agora presa (e livre) em um foguete no espaço é de onde vem a tragicomédia procurada pelo diretor, que tem predileção por criar situações onde não sabemos exatamente o que irá nos atingir. Levar essas situações corriqueiras para um extremo também é uma forma que o diretor encontra de manter seus filmes entre o autoral e o popular, atraindo público enquanto conta uma histórias cheia de nuances.

O curta-metragem é daquelas obras onde tudo funciona tão bem que acaba parecendo muito simples. A premissa que traz um pano de fundo na ficção científica é incomum o bastante para atrair a curiosidade. Quando um conflito familiar é colocado como propulsor da narrativa, a situação acaba se tornando mais realista e absurda ao mesmo tempo, química perfeita e que sem esforço justifica a carreira que o filme teve em festivais.

 

Porque recomendamos

Drama familiar cotidiano temperado com ficção científica, o curta sabe a hora exata de virar tudo de cabeça para baixo com impacto, humor e absurdo.

 

Ficha Técnica

• Ano: 2021
• Duração: 15 min
• Formato: Curta-metragem / Ficção
• Gêneros: Drama, Comédia, Ficção Científica
• Países: Brasil, França
• Idioma: Português-Brasileiro
• Produtoras: Casa da Praia, O Sopro do Tempo, Les Valseurs
• Distribuidoras: Les Valseurs
• Direção e roteiro: Carlos Segundo
• Assistência de Direção: Pedro Fiuza, Luiza Oest
• Elenco: Priscilla Vilela, Enio Cavalcante, Fernanda Cunha, Matheus Brito, George Holanda, Matteus Cardoso e Robson Medeiros
• Com vozes de: Henrique Fontes e Ednaldo Martins
• Produção: Mariana Hardi, Pedro Fiuza, Damien Megherbi e Justin Pechberty
• Produção Executiva: Mariana Hardi, Damien Megherbi, Justin Pechberty
• Direção de Produção: Mariana Hardi
• Direção de Fotografia: Carlos Segundo e Julio Schwantz
• Direção de Arte: Ana Paola Ottoni
• Figurino: Rosângela Dantas
• Montagem: Carlos Segundo e Jérôme Bréau
• Colorista: Caïque De Souza
• Som: Miguel Sampaio
• Edição de Som: Antoine Bertucci
• Trilha Sonora: Jérôme Rossi
• Foley: Didier Falk
• Efeitos Especiais: Jeff Essoki
• Mixagem: Vincent Arnardi

 

Sideral (2021) on IMDb